sábado, 22 de fevereiro de 2014 0 comentários

Sobre paixões relâmpago

 


        Depois de algumas frustrações com pessoas que eu pensava serem o amor da minha vida, estou tentando ir com calma em relação a sentimentos fortes por um tempo. Comecei a pensar no porquê de tantos relacionamentos terminarem e de tantas decepções e desentendimentos destruírem casamentos. A questão é complexa e envolve muitas coisas, mas acho que o principal motivo para isso acontecer tem a ver com expectativas e com a ideia errada que às vezes temos das pessoas.
        Quando conhecemos alguém, temos uma primeira impressão. Descobrimos pouquíssimas coisas sobre a pessoa e construímos uma ideia sobre ela. Então, se à primeira vista ela é agradável e apresenta algumas qualidades, surge uma paixão. E, às vezes, pode-se estar apaixonado pela ideia de alguém, por quem a pessoa parece ser e não por ela de verdade. Depois que se está envolvido, é difícil perceber isso e permanece a paixão por uma pessoa que na verdade não existe. Acontecem tantas discussões porque esperamos uma certa atitude de alguém, nos iludimos e sofremos uma desilusão. 
        No meu caso, meu ponto fraco são pessoas inteligentes e que me fazem rir. Já me enganei pensando estar apaixonada por pessoas assim. Porém, conhecendo-as melhor, percebi que estava errada e muitas vezes era tarde demais, me fazendo magoar pessoas e magoando a mim mesma. 
        Solução para isso? Menos expectativas. Conhecer as pessoas com calma e sem pressa, porque tudo acontece como tem que ser, na hora certa. É muito melhor do que apressar as coisas e descobrir que a pessoa por quem você está apaixonado só existe na sua imaginação. E uma última coisa: ninguém, absolutamente ninguém é perfeito. Pare de idealizar tanto as pessoas. Abra os olhos e enxergue as pessoas como elas realmente são. Porque mesmo não existindo alguém perfeito, aposto que existe alguém perfeito para você.
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014 0 comentários

O adeus

    


    Hoje pensei em nós. Não que eu não tenha pensado nos últimos dias, mas dessa vez comecei a lembrar daquele nosso adeus e de como tudo foi tão estranho.
    Repetíamos "tudo bem" o tempo todo, talvez para tentar convencer a nós mesmos de que tudo ficaria bem. Passei horas escrevendo várias coisas que eu precisava que você soubesse e nunca consegui contar, mas você decidiu que era melhor não ler, mesmo sem saber da quantidade de confissões que eu tinha escrito naquele documento de word que você nunca lerá. Talvez se tivesse lido, deixaria de me acusar de algumas coisas.
    Você insistiu por dias e continuava me perguntando o porquê, depois de termos chegado tão longe. Supôs que eu estava feliz, considerando que parei de responder suas mensagens. Mas era um período tão difícil que eu precisava me desligar de você. Não queria acordar todos os dias lembrando do que eu tinha feito, o que eu tinha desmanchado e como eu tinha lhe deixado arrasado. Só não quis que o buraco no meu peito se transformasse numa cratera enquanto você me contava sobre quanto chorava todos os dias. Eu não queria tornar tudo ainda mais difícil. Queria esquecer que tinha feito mal a quem eu amava, porque era uma dor devastadora. Esquecer que tinha alguém no mundo que lembrava de mim como alguém terrível que tinha arruinado seus planos e seus dias.
    É fácil julgar, mas difícil se colocar no lugar do outro. Me coloquei no seu e sei o quanto isso parece insuportável e como pareço um furacão que só bagunçou sua vida e decidiu partir sem mais nem menos. Mas precisei fazer isso. Desculpe.
    Tudo bem, minhas desculpas nunca serão suficientes, e tenho certeza de que elas não mudam o seu sentimento ou lhe deixam melhor. O que me resta é torcer para que você encontre outras pessoas e que consiga ser feliz, mesmo que tenha me dito que a sua felicidade depende de mim. Não é verdade. Você consegue seguir sem mim porque tem uma capacidade incrível de fazer e alcançar qualquer coisa com perfeição.
    Não sei se você ainda lê meus textos, mas se estiver lendo isso agora, saiba que essas frases confusas e que não justificam nada só estão aqui para que você saiba que estou tentando encontrar algum sentido nisso tudo. E eu sinto muito. Me perdoe.
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014 0 comentários

Depois que ele apareceu

      

              Às vezes, em meio ao caos do dia a dia, fazemos escolhas que não sabemos a que nos levarão. E essas escolhas podem nos fazer encontrar algo maravilhoso no meio do caminho.
         Ele foi chegando de mansinho. Entre sorrisos e brincadeiras, foi me salvando da rotina e dos problemas que eu andava enfrentando. Ele pegou minha mão e me mostrou o lado bom de se viver. Por causa dele, amo ainda mais tocar meu violão. Por causa dele, tenho um motivo a mais para sorrir. Por causa dele, agora caminho acompanhada porque ele está sempre ali, me oferecendo um ombro amigo e um sorriso lindo. 
         Ainda não sei se prefiro ouvi-lo ou se prefiro falar e assisti-lo me ouvindo atentamente. O mais estranho e engraçado nisso tudo é como nossa conversa flui naturalmente. Passei a minha vida inteira tendo uma dificuldade enorme em falar com as pessoas, e esse é o motivo pelo qual sempre tive poucos amigos. É como se existisse um grande muro que me separasse de todas as outras pessoas só por elas conseguirem conversar umas com as outras e eu não. E de repente aparece ele, como quem não quer nada, e derruba esse muro com uma facilidade impressionante, tirando essas palavras da minha boca como se elas estivessem sempre ali, esperando por alguém que me passasse segurança suficiente para que eu pudesse dizê-las. Ou seja, não posso perder alguém assim. Alguém com quem eu consigo me abrir e falar sobre vários assuntos sem problemas. Alguém que apenas tocando e cantando uma música qualquer já faz eu me sentir leve e feliz, como se as minhas preocupações e dramas decidissem passear fora da minha cabeça por um tempo.
          Olha, eu não sei o que ele tem para ter conseguido ganhar minha confiança assim tão fácil e se tornado tão importante. Quem sabe tenha sido aquele jeitinho brincalhão ou aquela mania de querer me agradar, ou talvez a preocupação dele comigo. Só consigo pensar em como tudo parece certo e melhor quando estou com ele. Ele é o meu melhor amigo, e não consigo me lembrar de como eu aguentava o mundo sem nunca ter ouvido aquela risada despreocupada.
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014 0 comentários

Antes da queda



"Às vezes parecia que de tanto acreditar em tudo que achávamos tão certo, teríamos o mundo inteiro e até um pouco mais..."

Legião Urbana


       É ridículo usar uma metáfora numa hora como essa, mas eu diria que aceitamos pilotar um avião por um longo tempo. No início, você hesitava um pouco enquanto eu, confiante e cegamente otimista, dizia que devíamos seguir em frente, que nada nos afetaria e que passaríamos por todas aquelas nuvens que atrapalhavam nossa visão em pouco tempo. Segurei sua mão e falei que enfrentaríamos essa juntos.
      Entramos na cabine, calculamos a rota ideal, verificamos se os paraquedas estavam ali e partimos. Começamos a subir, e eu não conseguia pensar em mais nada além do nosso destino, o lugar onde eu tinha certeza que chegaríamos. 
        Porém, cometi um erro. Eu olhei para baixo. Esqueci de lhe contar que tenho medo de altura e passei mal. Tentei esconder meu desespero, mas você notou meu olhar distante e minha dificuldade de respirar. Lembrei daquele aviso sobre como as turbulências são perigosas. Mas eu ainda queria continuar. Então começou a chover e a nossa visão ficou embaçada. Pela chuva e por minhas lágrimas. Observei o paraquedas no canto durante dias e dias, até pegá-lo e finalmente saltar. 
         Eu desisti. Não é algo que eu me orgulhe em dizer.
        Você deveria imaginar que uma menina frágil não daria conta do recado. Eu não estava pronta para uma viagem para tão longe. Você apostou todas as suas fichas em mim e eu não correspondi às suas expectativas. Pode retirar as palavras "forte" e "corajosa" da minha lista de adjetivos e acrescentar "covarde". Não sou como você imaginava, afinal.
        Só peço que não se desespere como eu. Fico realmente desolada ao pensar que lhe deixei sozinho naquele avião sem saber para onde ir. Mas sei que você se reerguerá porque é forte e destemido.
        Lembre-se: Não desisti por sua causa, desisti pelo voo. Pela altura, pelo medo de cair. Pular do avião é mais seguro quando ainda não há turbulência. Desculpe. Você precisa continuar sem mim. Quem sabe algum dia nos encontremos de novo, quando eu for madura o suficiente para entrar num voo como aquele outra vez. 
sábado, 21 de dezembro de 2013 0 comentários

Escolha ser feliz



          Existe muita coisa engraçada no modo como agimos e às vezes nem nos damos conta de que alguns atos não fazem muito sentido. Algo que andei percebendo foi a maneira com que cobramos a tristeza das pessoas.
  Por exemplo, alguém perde uma pessoa da família. Olha lá, fulano nem está afetado depois daquela tragédia. Como consegue sair de casa? Que vergonha, deveria ter ficado abalado e nem parece estar ligando.
  Outra situação: alguém termina um namoro e depois de poucos dias é visto sorrindo por aí. Olha só, com certeza foi ele quem terminou o namoro. Que frieza, hein. Aposto que não derramou nem uma lágrima. Superou rapidinho, deveria estar em casa aos prantos, isso sim.
  E eu me pergunto: qual é o problema? Por que as pessoas precisam ficar tristes durante muito tempo diante de uma situação difícil? Alguns superam as coisas mais rápido, aliás, que coisa ótima para eles, gostaria muito de conseguir fazer isso. Mesmo assim, tenho certeza de que sentem uma dorzinha no fundo do peito e fazem força para esquecer e seguir em frente enquanto todos apontam os dedos e dizem: uau, você não sofreu nadinha, nem se importa mesmo. Admito que às vezes eu mesma faço isso, mas me arrependo depois. Vivi situações desse jeito algumas vezes, que foram suficientes para perceber que não se pode julgar ninguém pelas aparências. Nunca se sabe o que se passa dentro das pessoas e não podemos sair dizendo o que os outros devem fazer, principalmente quando você não os conhece bem.
  Cobrar tristeza dos outros só mostra o quanto nesse mundo o que se aparenta vale mais do que aquilo que se sente. É uma pena que não se dê prioridade a entender o que aconteceu em vez de julgar sem saber metade da história. Esse é o lugar em que vivemos, onde o egoísmo e o julgamento alheio valem mais do que um abraço amigo e uma conversa para entender e apoiar o outro.
  Não importa o quanto os outros digam que você deveria estar triste por isso ou aquilo. Continue em frente, sempre escolhendo a felicidade.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013 0 comentários

Não posso ser escritora




Não posso ser escritora. Não tenho nome de escritora, não tenho sobrenome de escritora e nem cara de escritora. Tenho cara de secretária sem graça de escritório.
Não posso ser escritora. Escritores bebem muito. Detesto cerveja e não aguento meio gole de qualquer bebida alcoólica. Dá para escrever algo bom estando sempre sóbria?
Não tenho ideias mirabolantes e não escrevo nada inovador. Não tenho teorias interessantes sobre qualquer coisa. Só escrevo um monte de coisas que todo mundo já sabe e um bom escritor não faz isso. Não me destaco por ter opiniões diferentes ou polêmicas. Só escrevo.
Não há nada de poético no que escrevo. Não uso metáforas. Não sou intelectual e nunca fui prodígio.
Eu apenas estou aqui. Escrevendo. Engolindo as palavras e depois as despejando no papel. Jogando-as para fora de mim porque não aguento o peso delas aqui dentro. Porque é só assim que eu me entendo, me desvendo e registro os momentos para que não me fujam da memória. Não tem a ver com talento, tem a ver com necessidade.
Sou completamente comum. Pessoas comuns não podem se tornar bons escritores.
domingo, 10 de novembro de 2013 0 comentários

Seus olhos


             Seus olhos. Seus profundos olhos castanhos que parecem estar sempre querendo me contar algo. Eu poderia deitar ao seu lado e passar horas apenas ouvindo sua voz me contar tudo que seus olhos já viram.
             Você tem aquele olhar de quem sabe muito mais que eu - e é mesmo verdade. Ou às vezes você me olha como se eu fosse um mistério que você precisa decifrar. Mas o verdadeiro mistério está em seus olhos - por onde eles passaram, aonde foram, quantas vezes se fecharam por não terem coragem de enxergar a realidade à frente deles?
             São seus olhos que quase me imploram para ficar cada vez que preciso ir. Talvez seja por causa deles que sempre acabo ficando mais e mais. E quando me despeço, o mais difícil é dizer adeus aos seus olhos. O mais difícil é desgrudar meus olhos dos seus e virar as costas quando tudo que mais quero é ficar. Talvez eles sejam os maiores responsáveis por eu estar tão ligada a você.
             Por favor, me deixe saber o que seus olhos presenciaram. Me deixe saber o que eles temem avistar outra vez. Quero te salvar dessas aflições que estão escondidas nesse olhar que consegue me acalmar fácil. Por um momento, queria possuir seus olhos para poder ver o mundo a seu modo e descobrir se, para você, sou mesmo tão bonita assim me enxergando através deles. Daria meus próprios olhos em troca dos seus para poder ver e compreender o que se passa dentro de você.
               Me dá seu olhar. Me mostra o que há por trás dos seus olhos lindos. Tenho certeza de que eles têm muito a me contar.
 
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