Às vezes tem gente que passa pela nossa vida e marca mesmo. Aquele tipo de gente que mesmo quando tem que ir e não pode nos levar junto, continua na lembrança mesmo com o passar dos anos. Gente que se preocupou com a gente, que se importou, que fez com que a gente se sentisse importante. Gente que conseguiu fazer a gente rir sem muito esforço, às vezes nas horas mais improváveis. Gente que enxugou nossas lágrimas e ajudou nas quedas. Gente que ficou do nosso lado apesar de tudo, que aguentou nosso pior e descobriu nosso melhor. Gente que guardou nossos maiores segredos e compartilhou histórias com a gente. Gente que ouviu o que tínhamos a dizer sem fazer qualquer tipo de julgamento. Gente que nos ajudou e apoiou na hora de tomarmos decisões importantes. Gente que dá até orgulho de ter conhecido, de ter convivido, de saber que fez parte da vida da gente. Gente que vem na memória só de ouvir uma música, sentir um perfume ou ler uma frase, como se eles continuassem com a gente mesmo após terem partido. Gente atenciosa, carinhosa e adorável. Gente que fez a gente acreditar que ainda existem pessoas maravilhosas no mundo, é só saber encontrar. Gente que teve que ir embora por escolha ou ironia do destino e mesmo assim continuou guardada em algum cantinho da gente. E que ainda continua presente em cada passo, em cada suspiro e em cada sorriso que a gente dá. E esse tipo de gente, o tempo nunca consegue apagar.
Ao encarar seus olhos enquanto você diz que me ama, eles me passam tanta segurança que eu quase consigo acreditar completamente na sua declaração. Mas eu sempre volto a ter minhas crises de baixo autoestima e me perguntar se você está mesmo falando a verdade. Não me leve a mal, eu confio em você. Acho que o meu problema é não confiar em mim. Quero dizer, eu faço coisas tão ridículas. Passo horas pesquisando cada coisa sobre a qual você comenta de passagem, só para poder ter algo a argumentar ou pelo menos formar uma opinião na próxima vez que você tocar no assunto. Só para você pensar que estou à sua altura em matéria de conhecimento e inteligência. Mas a verdade é que não passo de uma menininha frágil que esqueceu de crescer, e que pensa que se jogando de cabeça ao desconhecido com uma falsa coragem a fará conseguir alcançar tudo que deseja assim tão fácil. Você fica elogiando minhas qualidades imaginárias enquanto eu tento pensar em um jeito de realmente me transformar na pessoa maravilhosa que você diz que eu sou. Não sei o que te prende a mim e nem de que jeito você acha que vou fazer sua vida melhorar milagrosamente, já que na maioria das vezes eu faço exatamente o contrário. Fala sério, olha para mim. Enxerga a imaturidade por trás dessa pessoa que faz de tudo para ser o suficiente para você. Por que acha que falo pouco quando estamos juntos? Porque tenho medo de soltar uma besteira e revelar essa adolescente bobinha que parece querer viver eternamente comigo. Porque depois de ouvir você dizer tanta coisa interessante e inteligente eu morro de medo de abrir a boca e estragar tudo. E acima de tudo, meu maior medo é que você tenha se apaixonado por alguém que você acha que eu sou, alguém que não existe realmente. Você sequer tem noção do medo absurdo que eu tenho de te perder se você perceber que não sou boa o bastante? Você entende o meu desespero só de imaginar ter de deixar você ir quando já estou completamente envolvida nisso? Sei que às vezes posso te assustar com toda essa vontade e anseio de querer enfrentar o mundo todo por nós. É que eu acho que uma pessoa tão incrível e apaixonada por mim não vai aparecer duas vezes na minha vida. Coisa de menina iludida isso, achar que encontrou o príncipe encantado e não pode deixá-lo ir. Ótimo. Agora preciso torcer para que você nunca perceba minha infantilidade. Ou nunca leia esse texto. Ou, na melhor das hipóteses, não ligue para isso.
Um dia tudo isso terá acabado. Um dia, todas estas angústias e as preocupações terão chegado ao fim, dando lugar à certeza de que todo o esforço teve resultado. Um dia riremos do quanto fizemos tempestade em copo d'água por algo que apenas o tempo, por si só, trataria de resolver. Um dia olharemos para trás e sentiremos orgulho de nós mesmos por não termos nos rendido apesar das dificuldades. Não te esqueças, meu amor, tudo o que vem fácil, vai fácil. E eu acredito do fundo do coração que duraremos muito - se não pela vida toda. Se estamos passando por isso agora, é para provarmos que nosso amor é mais forte que essa tempestade. É para percebermos que essa luta é a prova pela qual precisamos passar para que mereçamos o amor um do outro. Sei que não é tua primeira batalha e que temes que desastres se repitam. Eu também tenho meus medos. Sei que às vezes dá vontade de desistir, de seguir um caminho mais fácil, de fazer planos mais simples de serem concretizados. Mas garanto que se aguentarmos firme mais um pouco, nossa luta só nos conduzirá à vitória no final. E em breve, quando essa vitória acontecer, seremos nós dois, juntos, mais fortes e ainda mais preparados para tudo que continuar vindo pela frente. Um dia, não tão distante, eu espero, veremos o quanto subestimamos nossa força nos momentos em que cogitamos jogar tudo para o ar. Um dia tudo deixará de ser tão incerto. Um dia - e isso é uma promessa - poderei olhar em seus olhos e dizer que sim, nós conseguimos, e que eu faria tudo outra vez por nós dois.
Ah, os 18 anos. A liberdade, a independência. A idade tão ansiosamente esperada pelos adolescentes. Exceto por mim, há alguns anos atrás, quando o que eu mais queria era poder dar uma de Peter Pan e parar de completar aniversário aos 15 anos. Nada de crescer e me tornar uma adulta chata cheia de responsabilidades e sem tempo para nada. Eu queria era ser adolescente para sempre. Hoje percebo que crescer é necessário e de certo modo, é até bom. Difícil, mas bom. Lições importantes são aprendidas enquanto vamos envelhecendo e passando por todas as fases da vida. Mas o que eu temia, ao crescer, era esquecer minhas manias que acompanharam minha adolescência. Hoje acordei com uma nova idade, mas ao me olhar no espelho, percebi que eu continuava a mesma. Então cheguei à conclusão de que certas coisas sobre mim não vão mudar mesmo depois de alcançar a maioridade. E sabe, acho que tudo bem. Tudo bem eu ler Meg Cabot e Nicholas Sparks. Tudo bem eu ser louca pela Taylor Swift e ficar sonhando em me tornar uma grande escritora. Tudo bem eu fazer escândalo quando meus jogadores favoritos estiverem em campo ou marcarem um gol. Inclusive, acredito que vou continuar fazendo esse tipo de coisa por muito tempo. Não vou deixar o que me faz feliz de lado para tratar de assuntos sérios o dia todo só porque agora completei mais um ano de vida e sou legalmente adulta. Afinal, são esses detalhes que fazem a minha vida valer a pena. É, feliz aniversário para mim. Agora com licença, a adulta que vos fala precisa dar um pulo na cozinha para raspar a tigela da nega maluca.
Explicar ou definir o amor é impossível, isso é fato. Mas eu acredito que amor, acima de tudo e principalmente, é admiração. Eu acredito que amar alguém esteja ligado à admirar o que a pessoa é. Pode ter gente que discorde e diga: mas eu amo alguém que só me faz mal e não há nada nele que eu possa admirar. Ah, meu bem, isso não é amor nem de longe. Isso é cisma, ou um encanto pela aparência física, ou no máximo uma paixãozinha porque algum dia ele te fez rir ou arrumou o cabelo de um jeito bonitinho. Mas amor não é isso. Não se ama pelo sorriso ou pela cor do olhos. Ama-se pelo que a pessoa é. E ao meu ver, para amar verdadeiramente alguém, é preciso também admirá-la. Antes de querer a pessoa ao seu lado, é preciso querer vê-la bem. É sempre preferível ver quem ama longe e bem do que perto e infeliz. É lógico que nem sempre admiração é amor. Mas eu acredito que amor sempre vem acompanhado de admiração.
Ela nunca falava muito. Passara a infância conversando pouco, e com poucas pessoas. Cresceu desse jeito, sempre valorizando as palavras de tal maneira que muitas vezes preferia calar-se a dizer algo que não fizesse diferença ou que pudesse ser mal interpretado. Aquilo começou a tornar-se um problema. Falar qualquer coisa na frente de muitas pessoas era um sacrifício. Não sabia utilizar as palavras certas. Por causa disso, fez poucas amizades, pois tinha dificuldade em conversar com as pessoas. Não sabia o que dizer, nunca sabia. Não conseguia se aproximar das pessoas e não sabia se elas sequer gostavam da sua presença. Fechava-se em seu mundo. Apesar de falar pouco, era apaixonada por palavras. Lia muito e escrevia ainda mais. Tudo o que não conseguia expressar oralmente, colocava no papel. Quando passava por um problema, não procurava as pessoas para conversar. Ela escrevia. Não tinha certeza se as pessoas a entenderiam ou se sequer se importavam com o que ela tinha a dizer, por isso preferia guardar o que sentia para si mesma. Quando os sentimentos começavam a se acumular dentro dela, ela os colocava no papel, na tentativa e na esperança de que isso a ajudasse de alguma maneira. Transformava sua vida em textos, em cartas jamais enviadas, em crônicas, em contos, em letras de música que nunca conseguira encaixar em alguma melodia. Talvez escrevia por necessidade, e não por opção. Talvez era a única maneira de colocar em palavras o que sentia. Talvez fosse seu jeito próprio de expressar-se. Como se isso fizesse parte dela.
Dizem que o Brasil é o país do samba, do carnaval e do futebol. Samba e carnaval são bem dispensáveis para mim, para não dizer inúteis. Não sei sambar, e carnaval é uma época em que, como todo feriado, fico em casa fazendo qualquer coisa ao invés de "aproveitar o carnaval", seja lá o que isso queira dizer. Enfim, não é sobre samba nem sobre carnaval que quero falar. É sobre futebol. Ah, o futebol. O que seriam das minhas tardes de domingo e noites de quarta-feira sem assistir a uma boa partida de futebol do meu time? Mesmo que no final ele saia perdendo - pouquíssimas vezes, é claro - a adrenalina, o nervosismo, a alegria de vê-lo fazendo um gol são sensações tão boas que vale muito a pena tirar 90 minutos do dia para senti-las. E aquele frio na barriga quando a bola bate na trave. Ou quando um pênalti pode resolver o jogo inteiro. A angústia do último jogo da final de um campeonato. E aquele desespero quando o árbitro não vê a falta contra seu time ou quando o técnico faz uma substituição que você tem certeza que vai estragar tudo. E sabe aquele papo que mulher só assiste futebol para ver os homens bonitos? Grande bobagem, pelo menos no meu caso. É claro que tenho lá minahs quedas por jogadores de futebol bonitos, mas esse não é o único motivo que me faz assistir a jogos. Mulher também torce, também grita, também canta, também chora ao ver seu time jogar. Aliás, conheço mulheres que entendem de futebol melhor que muito homem por aí. Ah, com certeza, futebol é uma das minhas coisas favoritas do Brasil.
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